Ciclo de Palestras Educar

“Conhecendo o desenvolvimento infantil: de 0 à 2 anos”

   Para entendermos o comportamento das crianças, suas atitudes, suas conquistas, seus desafios e apresentarmos uma atitude adequada a cada situação, devemos conhecer como ocorre o processo de desenvolvimento infantil e suas implicações em cada etapa, a fim de possibilitarmos um espaço favorecedor de aprendizagens e conceitos importantes para seu crescimento.    Iremos dar ênfase neste primeiro momento ao processo de desenvolvimento de 0 à 2 anos de idade, no qual nossos estudos são fundamentados nas teorias de Piaget, Vygotsky, Wallon e Freud.
    A trajetória que uma criança percorre desde que começa a deixar de ser bebê (dependência total) até começar a se transformar em um ser mais independente e autônomo, está relacionada às suas condições biológicas, e aquelas proporcionadas pelo espaço familiar e social (escola) com o qual interage. Durante o seu desenvolvimento uma criança passa por diferentes períodos ou estágios. Em cada um deles, diferentes aspectos caracterizam as relações das crianças com o mundo. São várias formas de pensar e agir que se sucedem. Nesse processo, as mudanças que vão se produzindo ocorrem de forma gradual, são estágios que vão se sucedendo e se superpondo. A ordem em que se sucedem é semelhante para todas as crianças, porém a idade em que passam por cada estágio, pode variar conforme a influência de fatores maturacionais, emocionais e ambientais.
   O desenvolvimento de uma criança não acontece de forma linear. Durante sua evolução ela experimenta avanços e retrocessos, vivendo seu desenvolvimento de modo particular. Diferentes ritmos constituem uma maneira sadia de crescer. Cabe à família e a escola conhecer e respeitar os passos do desenvolvimento infantil. Exigir que a criança avance etapas, ou não estimulá-las a seguir em frente não é saudável e pode, futuramente, gerar sérios conflitos.

"A criança de 0 à 2 anos"

   Nesta idade a criança encontra-se no estágio Sensório-Motor conforme Piaget, no Impulsivo Emocional (0 à 1 ano) e no início do Sensório-motor e projetivo (1 à 3 anos) de Wallon, na Fase oral (Freud) e no momento em que apresenta maior dependência do meio que a cerca e das relações para que ocorra seu desenvolvimento, segundo Vygotsky.
   O primeiro ano de vida é crucial para o desenvolvimento da criança, pois sabemos que os bebês precisam muito mais do que cuidados essenciais em relação à temperatura corporal, alimentação e higiene. Todos os estudos enfatizam a necessidade da interação com o meio, objetos e pessoas que o rodeiam, da atenção, do contato físico, da estimulação corporal e do amor, para que os bebês desenvolvam seus sentimentos, intelecto, estrutura mental, corporal e emocional.
   Logo que nasce as estruturas mentais da criança não estão prontas, seu sistema nervoso central está em formação e ela precisa de constantes estimulações do meio em que vive para continuar este processo de evolução. Nesta fase ela depende totalmente do meio em que vive, tanto para atender às suas necessidades fisiológicas quanto nas aprendizagens que serão construídas.
   As primeiras reações apresentadas são impulsivas e reflexivas, não intencionais, reflexos motores de sensações físicas, onde os bebês expressam de forma incondicional suas necessidades biológicas a fim de sejam sanadas pelo meio. Na medida em que as crianças vão se desenvolvendo, as reações vão passando de impulsivas reflexivas para intencionais. A criança constrói os conceitos de que suas ações causam reações no meio e nas pessoas que estão a sua volta, então sua expressão começa a ser intencional para que sejam realizadas suas vontades e necessidades.
   As relações estabelecidas entre os bebês e as pessoas que o rodeiam são puramente emocionais, seu processo de socialização começa desde cedo, sendo fundamental relações afetivas, conversas, carinhos e o próprio toque, para que desenvolva seus sentimentos e segurança emocional.
   Neste período a criança encontra-se na anomia moral em seu processo de construção moral, pois devido ao pouco entendimento das solicitações e do meio, a criança não compreende as regras estabelecidas pelos adultos, por isso se faz necessário a repetição constante sobre as situações que não são possíveis de serem realizadas pelas crianças.
   O movimento ganha uma enorme importância neste período, pois a criança precisa desenvolver-se corporalmente para construir sua independência na interação com o meio e poder locomover-se sozinha, assim como realizar diferentes movimentos que facilitem seu aprendizado. A repetição que ocorre nesta fase é importante para que a criança construa um movimento, repetindo-o e posteriormente realizando-o a partir de seu olhar e possibilidades.
   A construção de seu conhecimento acontece através das experimentações concretas e sensoriais, a criança precisa sentir os objetos e explorar o meio em que vive para construir os conceitos que mais tarde serão estruturados em imagens mentais. É neste momento que a boca entra como um importante instrumento de contato com este meio. Através da boca ela percebe o mundo que está a sua volta e interage com ele.
   Na medida em que vai se desenvolvendo a boca vai sendo substituída pela mão e por outras partes do corpo que facilitem sua exploração do meio. A criança agora com 1 ano já começa a conhecer este meio e apropriar-se dele. Suas ações sobre os objetos são intencionais. Seus movimentos são mais amplos e desordenados, possuindo maior segurança em sua locomoção e execução, construindo sua independência progressivamente. A linguagem ganha um papel importante na comunicação, pois agora além de gestos e sons, utiliza-se de palavras chaves para expressar seus pensamentos e sentimentos.
   Em seu processo de socialização encontra-se na fase do egocentrismo, onde prevalecem as suas necessidades sobre as do grupo. Nesta fase é importante começar a estimular a troca e a percepção do outro, assim como os limites necessários para sua construção moral. Começa a executar as combinações sem conhecimento de sua importância ou compreensão das mesmas.
   Por volta dos dois anos, aproximadamente, a criança começa a entrar na fase anal (Freud), onde iniciam-se os processos de retiradas de fraldas e o controle dos esfíncteres.

Mediadora: Luciane Ramos (pedagoga)